Carim Habib: “Nigéria e Paquistão são mais atraentes do que a Alemanha”.

01 Ago Carim Habib: “Nigéria e Paquistão são mais atraentes do que a Alemanha”.

Este é o resumo de uma entrevista publicada no Portal Observador.

Carim Habib, Managing Partner na Dolat Capital, SCI (Sociedade de Consultoria para Investimento), está a desenvolver uma estratégia de investimento em dívida pública para lançar um fundo. A estratégia passa por encontrar títulos de dívida pública e privada que os restantes investidores dizem que são muito arriscados, essencialmente devido à situação de risco político, mas que na verdade não o são, porque o emissor tem a capacidade económica para pagar.

A seguir ao lançamento do fundo, Carim Habib conta expandir a consultoria a outras entidades, como particulares, fundos de pensões e fundações. O consultor defende a filosofia de investimento em valor, aplicada a qualquer ativo financeiro, das acções às obrigações, passando por fundos de investimento. Em vez de Warren Buffett, Carim Habib gosta mais dos princípios de Benjamin Graham (professor e mentor de Buffett): avaliar ativos com base em análise fundamental, encontrar ativos que estejam abaixo do seu valor intrínseco e que tenham uma margem de segurança suficiente para que proteja o investidor do risco que é a perda permanente de capital.

Como combina investimento em valor com risco político? O que fazemos em primeiro lugar é olhar para a ordem mundial. Como se enquadra o posicionamento das grandes potências? Como estão a posicionar-se os Estados Unidos? Qual é o desenvolvimento e a estratégia da Europa face ao resto do mundo? É preciso ver a China. Depois, o que tentamos fazer é encontrar situações idiossincráticas, aquilo a que chamo flash points: situações específicas que levam a que o risco económico de um determinado país seja influenciado pelo seu risco político. Quando o mercado não sabe avaliar o impacto do risco político no risco económico acha que o pior já está a acontecer, o que, às vezes, não acontece. Tentamos avaliar a capacidade e a vontade de pagar do emitente. Há uma série de investimentos que não recomendamos, porque sabemos que são instrumentos que têm mais complexidade. Por exemplo, só investimos em moeda forte; não investimos em moeda local. Investimos em dólares ou euros e, eventualmente, em libras.

O aconselhamento de outros clientes que não sejam o fundo de investimento não se resume ao mercado de dívida? Tipicamente, numa carteira normal, o que gostamos de ter é investimento direto em algumas ações, investimento direto em algumas obrigações, ter alguns ETF. Eventualmente, alguns fundos de investimento. Não acreditamos em produtos muito complexos. Durante muitos anos, desenhei vários produtos complexos. Sei os riscos e os custos que estão associados. Para a maior parte dos clientes, há outras formas de obter o mesmo resultado com outro tipo de riscos.

E 25 a 30 títulos são suficientes para atingir diversificação? Acredito que o excesso de diversificação é que é um problema. A partir de um certo número, a diversificação é marginal. Temos um problema suplementar: os custos são mais elevados e a capacidade de seguir esses nomes é mais complexa. Também acredito em conhecer a fundo todos os investimentos, mesmo que sejam investimentos indiretos.

O que traz de novo a Dolat Capital ao mercado português da consultoria para investimentos? O que trazemos de novo é um modelo de negócio muito transparente. O sistema financeiro sofisticou-se muito nos últimos 30 anos, mas há uma coisa que ficou para trás. O serviço que se presta ao cliente é ainda muito focado na ótica de quem presta e não de quem o recebe. Quero dizer que os serviços financeiros são muito caros. Há um aconselhamento que não é especializado. Claramente, nós conseguimos fazer muito melhor. Acredito num modelo em que se conhece a fundo o balanço do cliente: os ativos que tem, os passivos que pode ter, a curva de interesses que tem para o futuro, ou seja, os objetivos financeiros que tem. Queremos prestar um serviço a um preço justo em que haja alinhamento de interesses.

Quanto custa um serviço de consultoria para investimentos na Dolat Capital? Há dois modelos de prestação de serviços. Num modelo, alguém chega até nós e diz “temos este património, estas são as nossas responsabilidades, estes são os nossos objetivos de longo prazo, estas são as nossas preocupações”, nós analisamos o portefólio do cliente, o balanço, etc. e chegamos a uma conclusão em que dizemos “se quer ter um aconselhamento connosco vamos cobrar uma comissão fixa sobre todo o património que está sob aconselhamento”. Também podemos trabalhar em situações mais específicas. Alguém que tem uma carteira complexa com vários bancos e precisa de um terceiro para fazer uma avaliação específica durante um período, sobre os seus investimentos, sobre fazer uma transição de um banco para outro, sobre criar uma política de investimento. Cobramos por projeto, pelo número de horas.

 

 

Veja o artigo do Observador na íntegra aqui.

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